Os estudantes de hoje na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental se preparam para um futuro do trabalho que exige um bom domínio das tecnologias digitais.
Talvez a maior dificuldade para uma Secretaria Municipal de Educação implementar com sucesso a BNCC da Computação esteja no engajamento dos professores.
Há poucos professores com formação específica nos conteúdos e nas metodologias adequadas ao desenvolvimento das competências e habilidades relacionadas à BNCC da Computação.
Além disso, nem todas as escolas têm conectividade significativa, que inclui acesso à energia elétrica; um serviço de banda larga de boa qualidade para conexão à internet por vários usuários ao mesmo tempo, distribuição do sinal wi-fi com capacidade suficiente nos ambientes pedagógicos e administrativos e a disponibilidade de dispositivos em quantidades e tipologias adequadas para assegurar o uso continuado por professores, gestores, estudantes e corpo técnico-administrativo.
No entanto, ter estudantes da Educação Infantil e Ensino Fundamental é preparar pessoas para um futuro do trabalho que exige algum domínio das tecnologias digitais. Isso vale também para municípios menores, inclusive onde predominem os trabalhadores que vão atuar na produção agropecuária, no comércio ou mesmo que buscam concursos públicos.
Não se trata de formar pessoas para trabalharem na área de tecnologia. As competências e habilidades previstas na BNCC da Computação cooperam, por exemplo, para encontrar os melhores preços do que é produzido na fazenda, buscar informações que ajudem a agregar valor ao que é plantado ou processado na zona rural, mapear fornecedores para lojas e supermercados ou ampliar a clientela a partir de estratégias digitais de divulgação.
Implementar a BNCC da Computação de maneira eficaz ajuda a enfrentar a alta informalidade, que limita a proteção social e combater a desigualdade regional acentuada, que restringe a difusão homogênea de tecnologias, investimentos e oportunidades qualificadas.
O município com uma estrutura ocupacional ainda concentrada em setores de baixa e média complexidade tecnológica precisará de pessoas com fluência digital até mesmo para permanecer no mesmo patamar atual da taxa de desemprego, nível de ocupação e rendimento do trabalho.
Na figura 1 sugerimos alguns passos para a implementação da BNCC da Computação nos municípios.
Além da organização curricular, é sempre recomendável encontrar dentre os professores quem tem mais interesse e disposição para se engajar como multiplicadores. Gente disposta a participar de formação específica e que vejam como a BNCC da Computação é importante tanto para os estudantes quanto para o autodesenvolvimento docente.
Para implementar a BNCC da Computação, a formação docente precisa partir do trabalho que já acontece nas escolas. Ao planejar uma atividade, observar como os estudantes resolvem um problema e voltar a esse registro depois da aula, o professor identifica o que funcionou, onde surgiram dificuldades e o que deve mudar.
Essa reflexão ajuda a transformar temas como pensamento computacional, mundo digital e cultura digital em experiências de aprendizagem adequadas a cada etapa da educação básica. Também permite começar com os recursos disponíveis, inclusive atividades sem computador, sem perder de vista os objetivos curriculares.
A partilha entre pares dá continuidade a esse processo. Um professor pode compartilhar uma sequência didática, mostrar produções dos estudantes e ouvir de colegas como eles enfrentaram dificuldades semelhantes. A conversa ganha valor quando examina decisões pedagógicas concretas: por que uma tarefa mobilizou a turma, que conhecimentos prévios faltaram, como verificar a aprendizagem.
o que os professores já ensinam relacionado à Computação,
quais dúvidas apresentam e
que condições de trabalho existem em cada escola.
A partir daí, pode organizar grupos por etapa de ensino, com encontros periódicos dentro do tempo reservado à formação. Cada ciclo teria uma tarefa viável: estudar um objetivo da BNCC da Computação, planejar coletivamente uma atividade, aplicá-la, recolher evidências da aprendizagem e discutir os resultados no encontro seguinte. Professores com experiência no tema podem atuar como pares de apoio, junto às equipes pedagógicas, sem assumir o papel de fiscalizar colegas.
Para sustentar o programa, a secretaria precisa oferecer materiais didáticos acessíveis, acompanhamento pedagógico e espaço para adaptar as propostas às escolas. Um repositório compartilhado pode reunir planos de aula, relatos curtos sobre sua aplicação e sugestões de melhoria, identificando a etapa e os objetivos trabalhados.
Ao fim de cada ciclo, vale perguntar aos docentes o que conseguiram aplicar e examinar algumas produções dos estudantes para orientar a formação seguinte. O resultado esperado não é uma coleção de certificados de participação, mas uma rede de professores capaz de aprender com a própria prática e de ampliar, ano após ano, as oportunidades de aprendizagem em Computação.
Artigo por: Luciano Sathler
Membro do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais.
A Pearson Pro é uma plataforma educacional que coopera com municípios na passagem do currículo aprovado para a prática escolar, apoiando o trabalho dos professores, que não precisam ser especialistas nessas diferentes áreas e vão poder contar com recursos digitais pensados para cada nível de ensino e série.
A plataforma reúne ambiente do aluno, catálogo de conteúdos, ferramentas de autoria e administração. Essa estrutura permite organizar trilhas por etapa de ensino, por eixo da BNCC Computação e por currículo adaptado pela rede municipal.
Nos anos iniciais, os conteúdos sequenciais do eixo Mundo Digital podem ser combinados com projetos de Cultura Digital e Pensamento Computacional. Nos anos finais e no ensino médio, módulos de informática, tecnologia, programação, robótica e inteligência artificial podem ser distribuídos conforme a matriz local e a carga horária definida pela Secretaria Municipal de Educação.
Quando o conteúdo trata de um sistema ou aplicativo, o estudante executa tarefas em ambiente simulado, conforme as orientações apresentadas na própria atividade. Missões, medalhas e certificações registram o percurso de aprendizagem, sem substituir o acompanhamento do professor. A lógica pedagógica é reduzir a aula apenas expositiva sobre tecnologia e ampliar situações em que o aluno testa, erra, refaz e registra o que aprendeu.
A cooperação com a Secretaria Municipal de Educação pode prever formação de professores, parametrização das trilhas, apoio ao cadastro de turmas, organização de aulas e acompanhamento por relatórios. O suporte ao professor, previsto na plataforma, inclui apoio no portfólio, no uso da BNCC, na montagem de trilhas e em ajustes operacionais.
Esses registros ajudam a rede a verificar a aderência entre currículo adaptado, materiais usados, atividades aplicadas e evidências de aprendizagem. A plena aderência depende de quatro pontos concretos: matriz aprovada, habilidades mapeadas, recursos correspondentes e documentação organizada no nível da rede.