Pearson reúne especialistas e lideranças da educação para debater a implementação da BNCC da Computação, o PROPAG e o futuro da educação profissional.
No dia 15 de setembro de 2026, a Pearson realizou, na sede de São Paulo, a primeira edição do Chá da Tarde com Pearson | À Mesa, Futuros, encontro criado para promover diálogo, escuta e construção conjunta entre lideranças da educação pública e privada.
Com o tema“BNCC da Computação e PROPAG: caminhos para a implementação nos setores público e privado”, o evento reuniu gestores, especialistas em políticas públicas, coordenadores pedagógicos, profissionais de tecnologia educacional e representantes de instituições de ensino para discutir dois desafios decisivos para o futuro da educação brasileira: transformar as diretrizes da BNCC da Computação em práticas efetivas de aprendizagem e converter as oportunidades de financiamento do PROPAG em expansão educacional com qualidade.
A programação contou com as participações especiais de Luciano Sathler, gerente de Educação Digital, Inteligência Artificial e Cursos Técnicos da Rede Batista de Educação e membro do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, e Felipe Michel Braga, presidente do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (FONCEDE) e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental.
Luciano Sathler conduziu uma reflexão sobre os fundamentos e os caminhos de implementação da BNCC da Computação, incluindo currículo, formação docente, inteligência artificial, metodologias ativas e desenvolvimento de competências digitais. Felipe Michel Braga abordou o PROPAG e o programa Juros por Educação, analisando como financiamento, regime de colaboração, planejamento e capacidade de execução podem contribuir para a expansão da Educação Profissional e Tecnológica.
Mais do que apresentar respostas prontas, o encontro colocou diferentes perspectivas ao redor de uma mesma mesa. A seguir, confira os principais aprendizados dessa conversa sobre os desafios atuais e os futuros possíveis para a educação brasileira.
Educação digital vai além do uso de ferramentas

A implementação da BNCC da Computação não se resume à aquisição de equipamentos ou à introdução de mais tecnologia nas escolas. Ela pressupõe a criação de condições para que crianças e jovens compreendam o mundo digital, utilizem a tecnologia de forma crítica e desenvolvam a capacidade de resolver problemas e criar soluções.
Durante sua apresentação, Luciano Sathler destacou os três eixos estruturantes da educação digital: cultura digital, mundo digital e pensamento computacional. A cultura digital envolve letramento, cidadania, ética, segurança e a compreensão das relações entre tecnologia e sociedade. O mundo digital contempla fundamentos como dados, codificação, hardware, software e redes. Já o pensamento computacional trabalha capacidades como abstração, reconhecimento de padrões, decomposição, algoritmos, programação, análise e automação.
Essa visão amplia o papel da escola. Não se trata apenas de preparar estudantes para operar ferramentas, mas de formar pessoas capazes de compreender sistemas digitais, avaliar criticamente informações e participar da sociedade e do mundo do trabalho.
A própria Resolução CNE/CEB nº 1, de 4 de outubro de 2022, define a Computação como complemento à BNCC e estabelece que estados, municípios e o Distrito Federal devem definir parâmetros e abordagens pedagógicas para sua implementação. A norma também contempla apoio ao desenvolvimento de currículos, formação docente, recursos didáticos e avaliação do ensino de Computação.
Leia também: Pensamento Computacional na Educação Pública: por que deve ser prioridade
Da diretriz curricular à prática de sala de aula
A discussão mostrou que implementar a BNCC da Computação requer uma abordagem sistêmica. A apresentação de Luciano Sathler organizou esse processo em sete frentes:
1. Organização curricular adequada a cada etapa de ensino.
2. Formação continuada de professores e equipes técnico-administrativas.
3. Identificação de professores e profissionais interessados na área.
4. Materiais didáticos orientados à prática.
5. Políticas de investimento e parcerias para conectividade significativa.
6. Articulação interinstitucional e intersetorial.
7. Priorização de metodologias ativas na prática pedagógica.
Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, por exemplo, a aprendizagem pode ser desenvolvida transversalmente e por meio da computação desplugada. Nos anos finais, atividades digitais podem ganhar maior presença. No Ensino Médio e na educação técnica, a Computação pode ser trabalhada como componente curricular e em regime de colaboração.
Essa perspectiva é especialmente importante porque a formação docente apareceu nas discussões como um dos principais desafios enfrentados pelas redes de ensino. Muitos professores já desenvolvem atividades relacionadas à lógica, à organização de processos e à resolução de problemas, mas nem sempre reconhecem essas práticas como parte do pensamento computacional. Dar visibilidade ao que já existe e construir novos repertórios pode representar um caminho mais viável para a implementação.
Aprender com inteligência artificial também exige aprender sobre inteligência artificial
Outro ponto relevante da participação de Luciano Sathler foi a distinção entre aprender com IA e aprender sobre IA.
Aprender com inteligência artificial significa utilizar ferramentas e sistemas para apoiar, potencializar ou transformar atividades pedagógicas e administrativas. Aprender sobre inteligência artificial envolve desenvolver conhecimentos, habilidades e uma postura crítica em relação à tecnologia, compreendendo seus usos, limites e possíveis impactos.
Essa diferença é fundamental. A formação digital não pode se limitar ao uso instrumental de soluções tecnológicas. É necessário preparar estudantes e educadores para avaliar informações, reconhecer riscos, compreender como decisões automatizadas podem afetar pessoas e utilizar a tecnologia de maneira responsável.
No encontro, essa reflexão também apareceu associada ao futuro do trabalho. As competências digitais precisam ajudar os estudantes não apenas a acompanhar mudanças tecnológicas, mas a participar delas com autonomia, pensamento crítico e capacidade de criação.
PROPAG: financiamento educacional exige estratégia e capacidade de execução

Em sua participação, Felipe Michel Braga apresentou o PROPAG e o programa Juros por Educação como uma oportunidade relevante para expandir a Educação Profissional e Tecnológica de nível médio.
O programa Juros por Educação integra o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, instituído pela Lei Complementar nº 212, de 13 de janeiro de 2025. O mecanismo permite que estados e o Distrito Federal reduzam os juros das dívidas com a União e revertam os valores correspondentes em investimentos na Educação Profissional Técnica de Nível Médio. O programa contempla expansão de matrículas, infraestrutura para cursos técnicos e formação de profissionais.
A apresentação abordou diferentes possibilidades de oferta, incluindo cursos integrados, concomitantes e subsequentes, além da articulação entre Educação de Jovens e Adultos, Ensino Médio e Educação Profissional e Tecnológica. Também destacou a possibilidade de colaboração com instituições públicas, instituições de ensino superior, escolas técnicas, fundações e outros agentes do ecossistema educacional.
No entanto, o principal aprendizado foi que a existência de recursos não garante resultados.
Como sintetizou a metáfora utilizada durante o encontro, “o vento a favor não dispensa o uso dos remos”. O contexto pode ser favorável, com marco legal e recursos disponíveis, mas a transformação depende do trabalho coordenado de secretarias, conselhos, redes de ensino e instituições parceiras.
O verdadeiro desafio está em transformar oportunidade em implementação
Um dos principais insights que emergiram do encontro foi a necessidade de reduzir a distância entre política pública, financiamento e execução.
Nas conversas entre os participantes, foram mencionados desafios como formação de professores, infraestrutura, conectividade, confiança no uso da tecnologia, avaliação da aprendizagem, evasão escolar e articulação entre diferentes níveis de governo. Também foram discutidas a necessidade de aproximar a educação profissional do Ensino Médio e as possibilidades de construir formações mais conectadas às demandas sociais e econômicas de cada território.
O regime de colaboração torna-se, portanto, uma condição estratégica. Os estados têm autonomia para definir a aplicação de recursos, mas as políticas educacionais são implementadas nos territórios. Secretarias estaduais e municipais, conselhos de educação, instituições formadoras e parceiros precisam alinhar planejamento, oferta, demanda, infraestrutura e acompanhamento de resultados.
A expansão precisa considerar não apenas o número de vagas, mas também a presença de professores preparados, estudantes interessados, cursos coerentes com as vocações regionais e mecanismos de avaliação capazes de demonstrar impacto.
Nesse sentido, avaliar competências significa observar mais do que o domínio de conteúdos. Conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e experiências precisam fazer parte de uma visão mais ampla sobre aprendizagem, empregabilidade e desenvolvimento social.
Uma experiência construída para promover escuta, diálogo e colaboração
No Chá da Tarde com Pearson, ao redor de uma mesa compartilhada, os convidados participaram ativamente das discussões, apresentaram desafios vividos em diferentes contextos e contribuíram para a construção coletiva de caminhos possíveis.
A primeira edição reuniu mais de 30 participantes e combinou acolhimento, conversa entre pares, conteúdo especializado, chá da tarde e uma mesa-redonda. O formato permitiu que o encontro funcionasse não apenas como uma iniciativa de relacionamento institucional, mas também como um espaço de escuta sobre as prioridades e dificuldades das redes de ensino.
Para a Pearson, proporcionar esse momento representou uma oportunidade de aprofundar o diálogo com quem vive, formula e implementa a educação todos os dias.
Mais do que discutir tendências, o encontro ajudou a revelar as condições necessárias para que políticas, tecnologias e investimentos gerem impacto real. Quando há espaço para escuta, diferentes agentes podem reconhecer desafios comuns, compartilhar experiências e construir decisões mais conectadas às realidades dos territórios.
Esse é o princípio que orienta À Mesa, Futuros: reunir pessoas e perspectivas para transformar conversas relevantes em possibilidades concretas para a educação.
Pearson Pro: apoio para transformar a BNCC da Computação em prática
As discussões realizadas durante o encontro reforçaram que o desafio da BNCC da Computação não termina com a atualização de um currículo. É necessário apoiar educadores, estruturar a implementação, desenvolver práticas pedagógicas e criar condições para que os estudantes avancem em pensamento computacional, mundo digital e cultura digital.
Nesse contexto, Pearson Pro é a solução da Pearson desenvolvida para apoiar redes públicas e privadas nos desafios relacionados à implementação da BNCC da Computação. Sua proposta conecta plataforma, conteúdos educacionais, formação e instrumentos de gestão, contribuindo para aproximar as diretrizes curriculares da prática pedagógica.
A formação continuada ocupa um papel central nessa jornada. Para que a BNCC da Computação chegue à sala de aula, professores e equipes precisam contar com repertório, materiais e segurança pedagógica. A implementação pode começar com atividades desplugadas e avançar progressivamente, considerando a infraestrutura, as prioridades e o nível de maturidade de cada rede.
Com Pearson Pro e com iniciativas de diálogo como o encontro À Mesa, Futuros, a Pearson busca contribuir para que redes de ensino avancem da diretriz à implementação e da tecnologia à aprendizagem, respeitando as diferentes realidades educacionais do Brasil.
Porque preparar os estudantes para o futuro não significa apenas apresentar novas ferramentas. Significa desenvolver capacidades para compreender o presente, tomar decisões e participar ativamente da construção de novos futuros.
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