A empatia na educação melhora o desempenho acadêmico e fortalece a saúde mental dos estudantes. Professores empáticos aumentam o engajamento, reduzem estresse e promovem ambientes mais inclusivos, tornando essa competência essencial na prática pedagógica atual.


  1. Efeitos da empatia sobre os estudantes 
  2. Impacto da empatia sobre o desempenho acadêmico 
  3. Impactos sobre a saúde mental dos estudantes  
  4.  Demonstrando empatia na prática 
  5.  Conclusão 
Vivemos em uma era de abundância. Nossos desejos podem ser muito mais facilmente atendidos do que no passado. Isso é válido para objetos de consumo e também para informações. Antes, o papel dos docentes era apresentar um campo de conhecimento que normalmente seria desconhecido dos estudantes. Nos acostumamos com a ideia de que apoiar os estudantes a desbravar esse novo campo era nossa principal responsabilidade.

As coisas mudaram muito, no entanto, e o papel do docente é bem mais complexo. Os estudantes têm acesso a qualquer informação que desejem obter e podem até mesmo se antecipar aos professores. Mas essa abundância e essa instantaneidade trazem consigo seus desafios. Um exemplo é dado pela crise de saúde mental que aflige jovens em todo o mundo e também no Brasil (Tonelotto, 2023).

Neste quadro, um esforço deliberado por parte dos professores para demonstrar empatia em relação aos estudantes pode não só promover o sucesso acadêmico, como também atuar como um fator protetor que reduz o estresse, a ansiedade e a depressão entre os alunos. Ao menos, é isso que se diz. Mas, há as evidências de que a empatia realmente faça diferença no processo de ensino-aprendizagem e no bem estar dos estudantes?

Efeitos da empatia sobre os estudantes

A literatura sobre aprendizagem e bem estar dos estudantes nas escolas considera a empatia como fator crítico para a obtenção de bons resultados em ambas as dimensões. Vejamos alguns resultados de estudos interessantes e recentes sobre o assunto.

Impacto da empatia sobre o desempenho acadêmico

É interessante afirmar que um maior nível de empatia na relação professor-estudante promove melhores resultados. Afinal de contas, por que isso acontece? Se as pessoas aprendem pelo engajamento com o conteúdo e com as competências que devem ser dominados, por que estabelecer uma relação de empatia teria um efeito concreto sobre os resultados?

Justamente porque os estudantes se engajam mais quando se estabelece uma relação empática entre eles e o professor.

De certa forma, não é a empatia que causa diretamente a melhora nos resultados, mas ela impulsiona o engajamento, que, por sua vez, leva a melhores resultados. Os resultados obtidos por Ampofo et al. (2025) mostram mesmo uma relação positiva e significativa entre a empatia percebida e o aumento do engajamento estudantil.

Em outro estudo, Reyes (2020) mostra que docentes percebidos como mais empáticos recebem, como retorno de seus estudantes, maiores níveis de atenção e participação em debates em sala de aula. O autor afirma que o aumento do interesse e da participação é um resultado direto da conduta empática do professor.

Portanto, estabelecer relações empáticas com os estudantes demonstra ser uma estratégia bastante eficaz de melhoria de desempenho por meio do engajamento e da participação.

Impactos sobre a saúde mental dos estudantes

BLOG 2 (2)

Mas talvez seja pelo efeito sobre a saúde mental dos estudantes que a empatia tenha ganho destaque. E, neste aspecto, os resultados obtidos em estudos são mais conclusivos. Ampofo et al. (2025) chegam mesmo a afirmar, logo de partida, que a empatia do professor serve como “componente vital” (p.1) para fomentar a saúde mental dos estudantes. Mais à frente, eles sustentam isso apresentando uma correlação negativa forte e significativa entre empatia docente e problemas de saúde mental entre os estudantes.

Os efeitos sobre a saúde mental dos estudantes são profundos. Whitehead (2021) concluiu que estudantes que recebem apoio emocional de professores empáticos são menos propensos a desenvolver pensamentos suicidas, além de demonstrar níveis mais baixos de estresse emocional.
Novamente o engajamento se mostra fundamental nessa linha de causalidade. A empatia, como foi mostrado acima, aumenta o engajamento estudantil. Este, por sua vez, além de promover melhor rendimento acadêmico, também promove uma melhoria na saúde mental. Não é surpreendente? A pesquisa liderada por Ampofo demonstra que o ambiente de apoio cultivado por educadores empáticos aumenta o engajamento do aluno o que, por sua vez, contribui para melhores resultados de saúde mental.

Mas o efeito da empatia vai além da saúde mental individual e afeta até o estado emocional do grupo. A pesquisa de Silva et al. (2025) demonstrou que a empatia docente é essencial para reconhecer  e valorizar as diferenças entre os estudantes e para que os próprios estudantes se respeitem mais. Portanto, a empatia é vista como um competência para uma educação inclusiva e justa. Ampofo e seus colegas reforçam essa conclusão, afirmando que os efeitos da empatia na saúde mental dos estudantes é mais pronunciado entre aqueles de classe socioeconômica mais baixa.

Leia também: 👉 Integração de habilidades sociais em currículos híbridos

Demonstrando empatia na prática

Toda ideia, por mais adequada e interessante que seja, precisa ser implantada para gerar resultados. Então, é preciso demonstrar empatia no relacionamento diário com os estudantes, na prática da sala de aula, para que esses efeitos tão benéficos possam ser observados. Mas, o que compõe esse comportamento empático docente? Será que basta ser simpático? Os estudos mostram quatro tipos de estratégias e práticas pedagógicas empáticas (Silva et al, 2025).

  1. Comunicação empática e escuta ativa: a escuta atenciosa e aberta dos estudantes e a valorização da voz do aluno é destacada como uma prática fundamental para a construção da empatia em sala de aula. Da mesma, uma linguagem corporal autêntica e respeitosa são igualmente valorizados. Tratar os estudantes pelo nome, difícil quando se tem muitas turmas com muitos alunos em cada uma delas, e interessar-se pelas suas histórias de vida mostra que o professor é genuíno em sua relação com a turma;

  2. Utilização de práticas pedagógicas estruturadas: o professor pode promover o trabalho em equipe e o espírito de cooperação e de aceitação da diversidade ao adotar práticas como rodas de conversa e critérios avaliativos que valorizem a interação saudável entre pares;

  3. Gestão efetiva do ambiente e dos conflitos de sala de aula: o ambiente acadêmico pode intimidar muitos estudantes e a sala de aula pode ser palco de conflitos individuais ou entre grupos. São situações delicadas, potencialmente tensas. De forma geral, os professores não são preparados para lidar com esses conflitos, mas ele é a figura de autoridade naquele ambiente e deve intervir de forma a construir um ambiente inclusivo e acolhedor;

  4. Adaptação pedagógica para estudantes com necessidades específicas: outra atitude docente que demonstra grande capacidade empática é o interesse genuíno em identificar necessidades específicas de seus estudantes e abordá-las da forma adequada. Estar disponível para um suporte instrucional individualizado é um dos aspectos mais valorizados pelos estudantes no comportamento docente.

Conclusão

Os estudos apresentados reforçam a visão de que empatia é uma competência docente importante e que deve ser utilizada em sala de aula. Ela transcende o apoio emocional e atua como um vetor para engajamento e o bem-estar dos estudantes. Ao fomentar ambientes de escuta ativa e adaptação pedagógica, professores elevam o desempenho acadêmico e constroem uma cultura de inclusão que está em grande demanda na sociedade contemporânea.

Como tudo que vale a pena na vida, atuar de forma empática exige esforço do professor e uma atenção continuada: desde a gestão de conflitos em sala até a realização de rodas de conversa, tudo demanda planejamento e execução deliberados. Mas, os resultados compensam, professores que se comportam de forma empática recebem maiores níveis de engajamento, participação e entusiasmo de seus estudantes. E, junto com isso, vem um melhor rendimento acadêmico. Ou seja, o melhor dos dois mundos. 

seja-colunista-pearson-higher-education-blog

Referências

 
Alexandre Gracioso
Alexandre Gracioso

Profissional com mais de 20 anos de experiência no ensino superior. Especializou-se em aprendizagem, desenvolvimento de competências socioemocionais e formação de líderes. De natureza inquieta, procura estar sempre atualizado das principais tendências referentes ao desenvolvimento humano e competências para o mercado de trabalho. Em suas atividades docentes, procura equilibrar a abordagem pessoal com as possibilidades tecnológicas. Recentemente, tornou-se sócio da Ideasense, empresa focada no desenvolvimento de Life Skills em organizações.

Inscreva-se em nosso Blog

Deixe um comentário

Posts relacionados